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25/05/2016

A música que agrada a Deus

LEIA: 2Crônicas 5.2-14

Qual a música agrada a Deus? Essa pergunta tem instigado a todos! Afinal, existe um determinado estilo musical do qual Deus se agrada? Talvez não exista um estilo específico. Mas o que realmente agrada a Deus é todo um contexto de adoração o qual, possivelmente, é resumida pela música. Vemos exatamente esse contexto no culto de inauguração do templo de Salomão. Resultado: a glória de Deus encheu aquele lugar! Tal contexto é marcado pelos (as):

1. Princípios de Adoração: "...os levitas tomaram a arca" (v.4). Tais princípios, como sabemos, são definidos pelo próprio Deus em sua palavra;

2. Pureza da Adoração: A adoração requer:
2.1. Santidade (v.11), cultos hipócritas não são recebidos por Deus (cf. Isaías 1.11; Amós 5.21-24; Malaquias 1.10);
2.2. Unidade, "e, quando em uníssono [harmonia], a um tempo (v.13);

3. Propósitos de Adoração: Louvor e gratidão a Deus pelo o que Ele é (v.13).

Os sons emitidos pelos instrumentos apenas resumiram todo esse contexto de adoração. Devemos, assim, criar esse contexto se desejamos ver a glória de Deus. Nosso louvor pode ser feito independente das circunstâncias. Podemos estar tristes (Salmo 88.1-3) ou em festa (2Samuel 6.16-23). Podemos entoar nosso louvor não somente através do canto mas também através das nossas próprias vidas. O importante é a glória de Deus descer e encher nossas vidas!

A oração de Jabez

LEIA: 1CRÔNICAS 4.9-10

As infindáveis genealogias contidas no Primeiro Livro das Crônicas são interrompidas por uma mini-biografia de um homem chamado Jabez. As informações sobre ele são sobremodo escassas. Sabemos apenas que foi o mais ilustre entre os seus irmãos mas que o seu nascimento fora marcado por muita dor, fato aliás, que lhe rendeu o nome (v.9). A oração feita por Jabez, ao contrário de ser um mantra capaz de mudar situações, revela algumas verdades acerca do próprio Deus, senão vejamos:

1. DEUS CUIDA DOS MENOS FAVORECIDOS (cf. 1Coríntios 1.26-29): Como sabemos, o próprio nome de Jabez aponta para a sua triste condição. Mas nos parece que Deus mudou sua sorte tornando-o um homem bom e honrado. O contexto da passagem remonta à conquista da terra, à época de Josué. Nesse sentido, Jabez fora colocado por Deus para uma difícil missão: exterminar os cananeus e apossar-se da terra. Tarefa árdua que o levaria a invocar o Deus de Israel. Jabez teve êxito em sua missão (v.10) a ponto de, segundo consta, ser homenageado, vendo uma cidade onde viviam escribas, receber o seu próprio nome (1Crônicas 2.55);

2. DEUS NOS ENSINA A ORAR POR BÊNÇÃOS MATERIAIS MAS SOBRETUDO, POR BÊNÇÃOS ESPIRITUAIS (cf. Mateus 6.9-15): A oração é uma forma de mantermos nossa comunhão com Deus. Devemos orar não até que Deus nos ouça mas sim, até que ouçamos a Deus. A nossa oração não muda os planos de Deus, muda os nossos. Quanto mais orarmos, mais conheceremos a vontade de Deus para as nossas vidas de modo que a vontade d’Ele será consoante a nossa. Isso parece ser verdadeiro na oração de Jabez. Sabendo que teria que liderar uma expedição militar, invoca o Deus de Israel (v.10). Exterminar os cananeus era a vontade de Deus (cf. Levítico 18. 24-29) pois as suas práticas, tão abomináveis diante de Deus, acabara por contaminar a própria terra. Por isso, os pedidos de Jabez:

2.1. Oh! Tomara que me abençoes...
2.2. ...e me alargues as fronteiras,
2.3. ...que seja comigo a tua mão
2.4. ....e me preserves do mal, de modo que não sobrevenha a aflição! (v.10);

3. DEUS É O CENTRO DAS NOSSAS ORAÇÕES E NÃO NÓS MESMOS: A oração deve exaltar a Deus e não o homem (cf. Lucas 18.9-14). Jabez parecia saber disso. Ele inicia sua oração dizendo “Oh! Tomara que me abençoes...”. Era como se dissesse: “Seja feita a tua vontade” (cf. Mateus 26.39; Marcos 14.36; Lucas 22.42). Jabez reconhecia sua limitação diante da tarefa que lhe esperava pois enfrentaria, além de soldados ferozes, hostes malignas do inferno. Sua batalha era física mas também espiritual. Era mister receber as bênçãos de Deus! E, elas foram dadas, no instante que o Deus Todo-Poderoso fora exaltado em sua oração. Em outras palavras, Deus lhe concedeu o que lhe tinha pedido.


Que as nossas orações sejam como essa de Jabez! Não poderosas, mas humildes. Afinal, poderoso é Deus!

11/05/2016

Perseverança, o segredo para uma vitória completa!

LEIA: 2Reis 13.14-19

Diante das duras investidas da Síria a Israel, o rei Jeoás vai até Eliseu, na ocasião velho e doente. Essa visita no entanto, marca o retorno do profeta à narrativa bíblica pois Eliseu saira de cena assim que Jeú fora ungido rei de Israel. Foram longos anos sem qualquer registro bíblico acerca de Eliseu. Estima-se cerca de quarenta e cinco anos, abrangendo vinte e oito anos do reinado de Jeú e dezessete, de Jeocáz. O rei Jeú cumpre a profecia dada através de Elias que a casa de Acabe seria destruída (2Reis 10.1-14). No entanto, esse rei não deixou de lado a idolatria que caracterizara Israel desde Jeroboão de modo que, o seu reinado tinha prazo de validade (2Reis 10.28-30), Eliseu sabia que tempos difíceis viriam. O profeta disse a Hazael, filho de Ben-Hadade - rei da Síria e seu pai - que os sírios atacariam e destruiriam os filhos de Israel (2Reis 8.11-12). A oração de Jeocáz no entanto, foi respondida por Deus e, por um instante, houve trégua sobre o seu reino (2Reis 13.4-5). Mas o estrago já estava feito: os sírios destruíram quase que totalmente o exército de Israel que, naquele momento, não tinha condições de seguir para a batalha e enfrentar seus inimigos (2Reis 13.7). Portanto, é nesse contexto de extrema opressão que Jeoás vai ao encontro do profeta.

É intrigante porém, o fato desse lapso na narrativa bíblica em relação a Eliseu. O que teria acontecido? O povo teria esquecido-se do profeta ou, então, o profeta teria esquecido-se do povo? Lembremos que Israel vivia uma apostasia terrível e somente diante de uma situação muito difícil o rei resolveria pedir socorro ao profeta, reconhecendo-o como homem de Deus. Por sua vez, o profeta que havia distanciado-se daquele povo não faz caso das diferenças e recebe o rei. Eliseu deu ao rei arco e flechas e pediu para ele retesar o arco. Colocou suas mãos sobre as mãos dele e disse para que o abrisse a janela para o oriente (onde estava localizada a Síria) e disparasse as flechas. Estas, por sua vez, flechas da vitória do Senhor eram símbolos da vitória de Israel sobre os sírios.

Diante das batalhas mais renhidas que enfrentamos o Senhor:

1) Nos dá as armas para a batalha; 
2) Nos dá as estratégias para a batalha;
3) Nos dá as vitórias nas batalhas.

O profeta pediu para o rei atirasse as flechas mas não estabeleceu o número de vezes. Assim, o rei atirou três vezes e parou. Isso indignou profundamente o profeta: "Cinco ou seis vezes a deverias ter ferido [a terra]; então feririas os sírios até os consumir; porém, agora, só três vezes ferirás os sírios" (2Reis 13.19). Outro fato intrigante: porque Jeoás parou de atirar as flechas sendo que o profeta não o havia mandado parar? Ele deveria ter continuado a atirar as flechas mesmo a despeito da incredulidade ou do desânimo e só parar diante de uma palavra de Eliseu. Em outras palavras, ele deveria ter perseverado para que a sua vitória fosse completa. Portanto, enquanto Deus não nos dizer que temos que parar, perseveremos! A vitória de Jeoás portanto, foi parcial. A honra coube a seu filho Jeroboão II, anos mais tarde, quando derrota finalmente os sírios (2Reis 14.25,28).

04/05/2016

Fogo do céu

LEIA: 1Reis 18.30-38

Diante dos profetas de Baal no Monte Carmelo e do povo, Elias orou e o fogo caiu do céu. A oração de Elias foi simples e humilde. Ele invocou o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó em uma alusão à aliança de Deus com os patriarcas mas o fez na condição de servo. Mas em sua oração Elias disse ainda que "segundo a tua palavra, fiz todas estas coisas" (v.36). E a pergunta é: que coisas que são coisas são estas?

1) Elias restaurou o altar do Senhor que estava em ruínas (v.30): havia naquele lugar um altar erigido ao Senhor. O povo foi advertido a destruir altares em lugares altos e somente construir onde o Senhor escolher. Parece que a vontade de Deus não estava sendo cumprindo e, por sua vez, isso explica a sua existência. No entanto, esse altar estava em ruínas e, para que o fogo descesse do céu, esse altar precisaria ser restaurado. Esse altar representa a nossa vida, o "nosso corpo que deve ser apresentado a Deus como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus"(Romanos 12.1-2). Nossa vida pois, deve manisfestar os frutos do Espírito. O fogo vai descer do céu quando houver restauração.

2) Elias tomou doze pedras, segundo o número das tribos dos filhos de Jacó, para restaurar o altar (v.31): nesse momento, o reino estava dividido, Reino do Norte ou Israel e Reino do Sul ou Judá. A divisão não era a vontade de Deus e Elias queria demonstrar isso: "...casa dividida contra si mesma não subsistirá" (Mateus 12.25b). Isso quer dizer que sem unidade e sem comunhão, o fogo não desce. É interessante notar que o avivamento experimentado pela igreja primitiva era fruto das orações e da comunhão: "E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações" (Atos 2.42). Mais adiante, é possível ler: "Diariamente perseravavam unânimes no templo, partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos" (Atos 2.44). O fogo vai descer do céu quando houver unidade.

3) Elias fez um rego em redor do altar (v.32): após restaurar o altar com doze pedras, Elias fez um círculo em torno desse altar demonstrando a necessidade de separação ou, então, santificação. Aquele rego significa um limite entre o santo e o profano, entre Deus e o mundo. O fogo não vai cair fora do território consagrado a Deus por isso, a necessidade de separar-se ou santificar-se porque "sem santificação ninguém verá o Senhor" (Hebreus 12.14). É oportuno destacar que Elias encharca o holocausto, a lenha e o próprio rego com água, ou seja, toda instalação. À primeira vista, podemos pensar que Elias queria demonstrar que não faria uso de qualquer tipo de truque. Não que isso não seja verdadeiro no entanto, a água aponta para a purificação. Os sacerdotes para exercerem seus ofícios deviam, entre outras coisas, lavarem-se na bacia de bronze colocada à entrada da Tenda da Congregação. Caso não lavassem os pés e as mãos morreriam. "A conversão tira o cristão do mundo; a santificação tira o mundo do cristão", disse John Wesley. O fogo vai descer do céu quando houver santificação.

Não é fácil fazer descer fogo do céu, disse Leonard Ravenhill. Mas é preciso! Nós precisamos do Espírito Santo: Ele nos convencerá do pecado, do juízo e da justiça; Ele nos guiará a toda a verdade; Ele glorificará a Cristo; Ele é revestimento de poder (Atos 1.8). E, somos exortados continuamente a sermos cheios de sua presença (Efésios 5.18). Para desfrutarmos dessa presença devemos fazer todas essas coisas pois procedem do Senhor. E, depois quando orarmos, Deus responderá com fogo do céu!

27/04/2016

O Rei vai bater à sua porta

LEIA: 2Samuel 6.1-12

Uma tragédia acabou sendo a causa de uma visita inusitada do Rei Davi à casa de Obede-Edom. A arca estava sendo levada à Jerusalém em cima de um carro de boi. Ao chegar à eira de Nacom, o bois tropeçaram e Uzá, filho de Eleazar e neto de Abinadabe, estende a mão para impedir que a arca caia. Ao tocá-la porém, Uzá é fulminado. Davi fica desgostoso e teme. Desiste de levar antes, vê-se obrigado deixá-la na casa de Obede-Edom. 

Mas por que a tragédia? Um culto ao Senhor poderia desagradá-lo a ponto de manifestar a sua ira de uma forma tão terrível? O que aconteceu de fato? Eis algumas razões:

1) Davi consultou o povo e não a Deus (1Crônicas 13.1-4);
2) Davi trouxe a arca imitando os filisteus (2Samuel 6.3 cf. 1Samuel 6.7);
3) Davi não foi advertido por Uzá e Aiô (cf. 2Crônicas 26.16-20).

Resultado: tragédia. E, é justamente nesse momento que entra em cena Obede-Edom. O Rei atemorizado bate à sua porta para deixar a arca sob seus cuidados. O nome Obede-Edom parece significar "servo do homem". O adjetivo geteu, por sua vez, deve ser entendido como uma referência a cidade levítica de Gate-Rimom em Dã ou Manassés (Josué 21.20-25). Na casa de Obede-Edom a arca permanece por três meses. O Senhor abençou a sua casa e tudo o que ele tinha (1Crônicas 13.14). Diferentemente de Abinadabe, Obede-Edom tratou com a devida reverência as coisas de Deus. Buscou a comunhão com o Senhor, não imitou os filisteus e não agiu indiferentemente diante do sagrado. Deus se agradou de suas atitudes e foi gracioso com a sua casa.

O Rei Davi, o saber que Obede-Edom havia sido abençoado por amor a arca de Deus, bate novamente a sua porta. Mas dessa vez não foi por conta de uma tragédia e sim por conta das graças de Deus sobre aquela casa. O Rei que outrora batera a porta triste e atemorizado dessa vez, o faz com alegria. Ele sabia que as bençãos eram as provas de que a ira de Deus havia sido aplacada. A arca foi levada para Jerusalém mas, agora, de forma correta (1Crônicas 15.2, 14, 15).

Mas o que aconteceu com Obede-Edom? Obede-Edom seguiu para Jerusalém junto com o cortejo. Não poderia mais ficar distante da glória de Deus. Na Cidade de Davi, foi inicialmente designado porteiro (1Crônicas 15.18) e depois, músico diante na Tenda da Congregação (1Crônicas 16.4,5). Além de cuidar da arca a bênção divina incluía filhos (1Crônicas 26.4,5). Estes, ficaram responsáveis para cuidar da porta sul do templo do Senhor, justamente defronte do palácio do Rei. A porta sul portanto, seria a principal usada pelo rei. Tal destinação reflete certamente uma honraria especial para Obede-Edom (1Crônicas 26.15).

Ao receber o Rei em sua casa a vida de Obede-Edom é transformada. Antes, um homem esquecido vivendo em um casebre à beira da estrada mas depois dessa visita, um homem abençoado e próspero. Mas lembremo-nos que essa visita foi causada por uma tragédia. Mas Deus virou essa sorte. Onde havia morte, houve vida. Onde havia desgraça, houve graça. O Rei esta à porta mas, cabe a nós, portanto, abri-la e desfrutarmos da gloriosa presença de Deus em nossas vidas. 

06/04/2016

O apólogo de Jotão em três perspectivas

LEIA: Juízes 9.7-15

Abimeleque, filho de Gideão com uma escrava, procura reestabelecer o culto cananeu entre o povo de Israel após a morte de seu pai. Para isso, ele convenceu os cidadãos de Siquém a seguí-lo em detrimento dos setenta filhos de Gideão. Com a ajuda de alguns homens, pagos com a oferta do templo de Baal, Abimeleque foi à casa de seu pai em Ofra e matou os seus irmãos para assim, tornar-se rei. No entanto, ele não esperava que Jotão, filho menor de Gideão, havia escapado do extermínio porque se escondera a tempo. Este, após tomar conhecimento que Abimeleque havia sido proclamado rei, sobe ao topo do monte Gerizim para dirigir-se ao povo de Siquém. Para ilustrar sua mensagem, Jotão utiliza-se de uma parábola (uma das poucas contidas no AT) que, por sua vez, ficou conhecida como o Apólogo de Jotão. Vamos aqui, ler esse estória a partir de três perspectivas:

1. ÁRVORES EM GERAL: A árvores queriam ungir sobre si um rei. Para tanto abordaram a oliveira, a figueira e a videira. Todas se recusaram! Apressadamente, escolheram como rei o espinheiro, arbusto farpado típico das colinas da Palestina e uma ameaça à agricultura que, por sua vez, não produzia nenhum fruto de valor. Assim, quando não sabemos esperar corremos o risco de atrair para nossas vidas coisas sem valor e improdutivas, que podem nos sufocar e até nos destruir;

2. ÁRVORES BOAS: As árvores boas -  oliveira, figueira e videira - recusaram o convite. Estavam por demais ocupadas com interesses próprios e não quiseram abrir mão deles em favor das demais árvores. Eximiram-se das suas responsabilidades. O espinheiro assim, sendo rei sobre todas as árvores, acabou também por dominá-las. Portanto, quando focamos apenas em nossos interesses e nos eximimos das nossas responsabilidades acabamos por prejudicar a todos, incluindo a nós mesmos. Aqui cabe as palavras de Martin Luther King: "O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons";

3. O ESPINHEIRO: É um arbusto e não uma árvore. Por sua vez, representa os efeitos da maldição sobre a terra (Gênesis 3.17,18). No AT, a palavra espinho pode designar figuradamente inimigo (e.g. Números 33.55). Portanto, representa destruição. Na parábola, o espinheiro é símbolo de oportunista pois aproveita-se da situação. Assim, devemos sempre reconhecer um espinheiro em meio às árvores e evitá-lo e, sobretudo, evitarmos ser como ele.

Através dessa parábola, Jotão tentou trazer o povo à consciência e a rever suas atitudes. Depois disso, Jotão viu-se obrigado a fugir. No entanto, o povo demorou três anos para reagir. Erraram mas reconheceram o erro. Demoraram-se todavia, para corrigir o erro. Dito isso, cabe mais uma lição para nós: corrigir nossos erros o mais rápido possível.



30/03/2016

A fé que faz ruir as muralhas

LEIA: Josué 6.1-27

Tendo atravessado o Jordão o povo depara-se com uma verdadeira fortaleza: a cidade de Jericó. Era uma cidade cujos muros mediam nove metros de altura e seis metros de espessura (entre muros internos e externos) em uma área de 32 km². Para tomar posse da terra, essa fortaleza precisaria ser derrubada. E assim se fez! No sétimo dia, após o toque das trombetas, o povo gritou e as muralhas ruíram. Não resta dúvida que a queda das muralhas foi um milagre de Deus. Mas existe um segredo que provocou esse milagre. Qual? A resposta encontra-se no livro de Hebreus: "Pela fé, ruíram as muralhas de Jericó, depois de rodeadas por sete dias" (Hebreus 11.30, ARA).

Portanto, o segredo que faz ruir as muralhas é a fé. Mas, o que exatamente é fé? Essa resposta também encontramos em Hebreus: "Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que não se veem" (Hebreus 11.1 ARA). Abraão, o pai da fé, "contra toda a esperança, em esperança creu" (Romanos 4.18 NVI). A fé nos transporta para além da dimensão tempo-espaço que estamos, nos lançando assim, para uma realidade que não é real mas que será.

A fé que fez ruir as muralhas de Jericó é:

1. Uma fé gerada pela palavra de Deus: "Saiba que entreguei nas suas mãos Jericó, seu rei e seus homens de guerra" (Josué 6.2). Portanto, o povo foi à conquista da cidade sob a palavra de Deus. Sabemos que a fé que vem através da palavra (Romanos 10.17). Os bereanos creram após examinar a palavra (Atos 17.11). Afinal, céus e terra passarão mas a palavra não passará (Mateus 24.35). A palavra de Deus provoca fé em nosso coração;

2. Uma fé provada pelo tempo de Deus: "Façam isso durante seis dias" (Josué 6.3b). Temos pressa mas Deus não. Ele sabe o tempo exato em que as coisas devem acontecer em nossa vida pois, "Para tudo há uma ocasião e um tempo para cada propósito debaixo do céu" (Eclesiastes 3.1). Saber esperar é um sinal de fé.

3. Uma fé motivada pela presença de Deus: "Levem a arca da aliança do Senhor"(Josué 6.6). Durante todo o período da conquista, a arca - símbolo da presença de Deus - era levada pelos sacerdotes. É interessante destacar que a arca estava na retaguarda. Instantes antes de atravessar o mar Vermelho, "...o Anjo de Deus que ia à frente dos exércitos retirou-se, colocando-se atrás deles [do povo] (Êxodo 14.19). Deus colocou-se entre o seu povo e os egípcios, protegendo-os e abrindo caminho. A presença de Deus em nossas vidas é garantia de que as muralhas ruirão.

A fé é o segredo que faz ruir as muralhas. Mas a fé que faz ruir as muralhas deve ser uma fé gerada pela palavra de Deus, provada e pelo tempo de Deus e motivada pela presença de Deus. 

23/03/2016

A responsabilidade dos pais na educação dos filhos

LEIA: Deuteronômio 6.4-7

Às vésperas de entrar na Terra Prometida, Moisés faz uma recapitulação da Lei para o povo. O nome do livro , Deuteronômio, aliás, significa exatamente isso: segunda lei. O texto em questão ficou conhecido como Shemá Israel. Não se trata de uma oração e sim de uma confissão de fé monoteísta dos judeus, recitadas duas vezes ao dia, uma pela manhã e outra, pela tarde e, ainda, com a mão direita fechando os olhos. Tal confissão ensina:

1. RECONHECER O SENHOR COMO ÚNICO DEUS: Há que se dizer que esse ensino não contradiz a Trindade. O objetivo é alertar o povo em relação às religiões idólatras dos povos cananeus;

2. AMAR O SENHOR DE TODO O CORAÇÃO, ALMA E FORÇAS: O desejo de Deus é a comunhão com o Seu povo através da:
2.1. Retribuição do Seu amor;
2.2. Observância do primeiro e grande mandamento juntamente com o segundo mandamento (cf. Mateus 22.37-40);
2.3. Verdadeira obediência (João 14.15).

3. ENSINAR DILIGENTEMENTE AOS FILHOS A SUA FÉ: O dever de educar os filhos é dos pais e não da Igreja, da escola ou de qualquer outra instituição. Cabe assim, ao pai e à mãe:
3.1. Cuidar do bem-estar espiritual dos filhos (Jó 1.5);
3.2. Ensinar a palavra de Deus aos filhos (Provérbios 22.6);
3.3. Disciplinar e repreender os filhos (Provérbios 3.11,12; Hebreus 12.5,6 cf. Efésios 6.4).

Eli, por não ensinar os filhos (1Samuel 2.12) trouxe problemas a sua casa e herdou o vento (Provérbios 11.29). Esse é um exemplo do resultado da omissão. A família do filho pródigo também teve suas falhas. A parábola menciona o pai, os filhos e até mesmo, os trabalhadores no entanto, não faz menção da mãe. A educação cristã é dever de ambos. No entanto, o pai cultivou a graça em sua graça e, o filho quando caiu em si, lembrou-se e voltou para a casa do pai (Lucas 15.17,18). Por isso, vale a pena investir na educação dos filhos. Não somos (nem seremos) pais perfeitos mas certamente as sementes que plantamos nos corações dos nossos filhos, em tempo oportuno, frutificarão. 



16/03/2016

O seu líder precisa de você!

LEIA: Números 11.29

O desejo de todo pastor e líder é que seu povo seja cheio do Espírito Santo. Não é difícil entender isso! Pois alguém assim é manso, humilde, verdadeiro adorador, operoso na obra. Esse último aspecto, aliás, certamente é o que caracterizava e distinguia o desejo de Moisés. Ele precisava de pessoas para ajudá-lo na obra.

Em certa ocasião, o povo murmurou porque recebia todo dia o maná da parte de Deus; queria carne porque no Egito era assim. Moisés pensou onde encontraria carne para alimentar toda aquela gente? Disse a Deus que sozinho não poderia conduzir o povo pois era pesado demais (v.14). Deus assim, designa 70 anciãos para ajudá-lo, tirou do Espírito que estava sobre Moisés e eles profetizaram. Dois anciãos que não estavam entre os 70, Eldade e Meldade, profetizavam no arraial. Josué, servo de Moisés, veio até ele para que os proibisse. Moisés, disse que não, é claro. E ainda desejou que todo o povo fosse profeta e cheio do Espírito Santo (v.29).

Moisés não podia prosseguir mais em sua liderança solitária. Ademais, ele sabia que o "profetizar" representava uma credencial do Espírito Santo para o ministério. Aqueles 70 profetizaram uma única vez (v.25). Moisés sabia também que o Espírito Santo não era restrito a algumas pessoas apenas. Quem pensava assim era Josué pois, ao querer proibir aqueles dois homens, implicitamente, entendia que só alguns (os líderes) poderiam experimentar os dons do Espírito.

Um líder não é um super-herói e precisa dos outros! Se alguns líderes tem de aprender isso, os liderados também! Que o Espírito Santo lhe dê discernimento! Você é importante e o seu líder precisa de você! 

09/03/2016

O Deus das Promessas

LEIA: Números 23.19

O povo que saiu do Egito debaixo de uma promessa, a conquista da terra, depois de anos e anos no deserto está próximo de ver cumprida essa promessa. Nesse instante, Balaque, rei dos moabitas, temendo os filhos de Israel que avançam, vencendo todos os seus adversários manda chamar Balaão para amaldiçoar o povo. Após certa resistência e consulta a Deus, o profeta cede ao convite do rei. No entanto, não pôde amaldiçoar o povo porque aquele povo era abençoado. Então, começa a proferir oráculos à Israel. No contexto do segundo oráculo, no v.19, fala-se da promessa e o do Deus que cumpre a promessa. O v.19 fala de Deus! Para vermos nossas promessas cumpridas precisamos, antes, conhecer o Deus que as fez. O texto em apreço nos ensina assim, quatros atributos de Deus.

1) VERACIDADE: "Deus não é homem, para que minta..." Deus é verdadeiro, o homem é mentiroso (Romanos 3.4) porque é impossível que Deus minta (Hebreus 6.18). Portanto, se as Palavras procedem de Deus, são verdadeiras (João 17.17b);

2) IMUTABILIDADE: "nem filho do homem, para que se arrependa." Deus não volta atrás em relação à sua Palavra. Ele não muda (Malaquias 3.6; Hebreus 13.8; Tiago 1.17). Nós assim, podemos mudar em relação aos seus propósitos, mas Deus não;

3) FIDELIDADE: "Porventura, tendo ele prometido (...) ou tendo falado...". Quem fez a promessa (Deus) é fiel para cumpri-la, por isso a necessidade de guardar firme a confissão da esperança (Hebreus 10.23);

4) INFABILIDADE: "não o fará (...) não o cumprirá." Sabemos que não há coisas difíceis (Gênesis 18.14), para Ele tudo é possível (Mateus 19.26; Marcos 19.27; Lucas 1.37). Nenhum plano do Senhor pode ser frustrado (Jó 42.2).

Para conhecermos as Promessas de Deus precisamos antes, o Deus das Promessas. 

02/03/2016

Fogo estranho mata

LEIA: Levítico 10.1-3

Nadabe e Abiú, filhos de Arão e sobrinhos de Moisés, foram separados para o serviço a Deus (Êxodo 24.1-10; Êxodo 28.1-2). Mas logo no culto inaugural ofereceram fogo estranho a Deus. Resultado: foram consumidos pelo fogo de Deus! O que eles fizeram (ou não fizeram)? Porque Deus não aceitou o culto que lhe prestaram? Por que os consumiu?

Por três razões, a saber:

I. Nadabe e Abiú fizeram aquilo que Deus não havia ordenado (v.1);

II. Nadabe e Abiú se achegaram a Deus pelas próprias obras (v.3); 
 1. Deus é santificado pela graça manifesta;
 2. Deus é santificado pela justiça manifesta.

III. Nadabe e Abiú desejaram a glória para si próprios (v.3).

Deus ordenou a Moisés exatamente como queria o culto (a planta do tabernáculo, os utensílios, os serviços). Não podemos prestar culto a Deus da forma que nos convém. Também não podemos nos achegar a Ele se não por meio de Jesus Cristo (Jo; 1Pedro 2.1-4). Se fizemos assim, Deus será santificado pela Sua Graça, do contrário, pela Sua Justiça. Deus não recebe culto hipócrita (Isaías 1.10 ss) e não divide Sua Glória com ninguém (Isaías 42.8). Mesmo estando debaixo da Graça, o princípio de Levítico ainda é válido (Hebreus 12.25-28). O nosso Deus é fogo consumidor!

17/02/2016

Chamado para ser bênção!

LEIA: Gênesis 12.1-3

Abençoar a todas as famílias da terra sempre foi o grande projeto de Deus. Desde o início, Ele procurou se relacionar com toda a humanidade. No entanto, o homem sempre se mostrou hostil a Ele. Deus ordenava que o homem fosse fecundo e se multiplicasse sobre a terra. O homem, por sua vez, o desobedecia. A gota d'água foi o episódio da Torre de Babel. O homem planejou construir uma torre que alcançasse o céu para que seu nome se tornasse célebre e para que ele não fosse espalhado pela terra. Deus desce e embarga a obra mas não o Seu projeto. Assim, Ele chama um homem, Abrão, lhe dá algumas ordens e lhe faz promessas. Deus diz a Abrão: sê tu uma bênção! 

Quem não ser uma bênção? Certamente todos queremos, não há dúvida! Mas o que significa exatamente ser uma bênção?

Para responder essa questão precisamos nos reportar ao significado de bênção no contexto do AT inicialmente. Nesse, bênção (ou abençoar) seria conceder poder a alguém para alcançar prosperidade, longevidade, fecundidade, obter sucesso e muitos frutos (cf. Números 6.22-27). No NT, o conceito acaba por contemplar também favores espirituais (cf. Efésios 1.3). Ser abençoado é receber de Deus benefícios de ordem material e espiritual mas também transmitir esses benefícios a outros. Você, assim como a Abraão, foi chamado para SER (e não TER) uma bênção!

O projeto de Deus de abençoar todas as famílias (ou nações) da terra seria realizado através de Abraão. Ele foi instrumento de Deus para que outros se beneficiassem. Nós, somos filhos espirituais de Abraão porque professamos a mesma fé que ele professou. Afinal, cremos em Jesus Cristo, em quem se cumpriu todas as promessas que Deus lhe fizera. Abraão permitiu que o propósito de Deus se cumprisse e não o dele. Eis aí o caminho para que alguém seja bênção.

Deus ordena que Abraão saísse da sua terra, da sua parentela e da casa de seu pai e fosse para uma terra que lhe mostraria. Mas por que Deus pede a Abraão algo tão difícil? Porque a família de Abraão era idólatra (Josué 24.2). Por isso precisaria deixar aquilo que o afastaria de Deus. Isso implicaria, pelas leis do mundo antigo, que Abraão perderia toda a sua herança uma vez que esta, estava diretamente vinculada à terra. Perderia também o privilégio do nome e estaria sujeito a toda sorte de desventuras. Mas Deus promete que o protegeria e que o honraria em terra estranha. E assim se fez.

Portanto, ser bênção requer obediência, renúncia, separação, intimidade, fé. Ser bênção implica ainda, em transferir a bênção que recebemos a outros. Dar é melhor que receber (Atos 20.35). Para isso fomos chamados!

02/12/2015

Fechado para balanço: Reflexões sobre o tempo (Parte 1)

LEIA: Salmo 90

Estamos nos aproximando do final de 2015 e, portanto, do momento em que nos fechamos para fazer um balanço do nosso ano. Reconhecer aquilo que erramos e acertamos, aquilo que fizemos e deixamos de fazer. Em suma, o que fizemos durante os quase 365 dias que tivemos em 2015. Como aproveitamos esse tempo. De outro modo, soubemos aproveitá-lo? Vivemos nossa vida como se não houvesse amanhã? Ou então, deixamos tudo para amanhã? Para nos ajudar a responder essas e outras questões, vamos meditar o Salmo 90. Urge, pois, encontrarmos respostas. Afinal, 2016 está às portas e precisamos planejá-lo.

A autoria do salmo 90 é atribuída à Moisés que deve tê-lo composto durante a peregrinação no deserto. Ele viu muitas montanhas pelo caminho e o fato de descrevê-las sistematicamente no texto o credencia como autor. No entanto, é provável que tenha havido revisões do texto até que se chegasse à sua versão final. Nesse salmo, há um nítido contraste entre a eternidade de Deus e a brevidade do homem. O tempo é, assim, analisado tanto em função de Deus quanto do homem. Por ora, vamos nos ater à reflexão do tempo sob a perspectiva humana considerando, inicialmente, algumas verdades incontestes à luz do texto:

1. A vida é breve (v.5,6); 
2. A vida é frágil (v.3); 
3. A vida é ilusória (v.7,8,9);
4. A vida é fadiga (v.10).

Mas o que faz a vida humana ser desse jeito? Por qual razão o salmista a vê de forma tão pessimista? Por causa das nossas iniquidades que, expostas à presença de um Deus Santo, são punidas. Em outras palavras, o pecado (desde o Éden) é o responsável pela nossa vida breve, frágil, ilusória e fatigada. Por isso, podemos estar chegando ao final do ano dessa forma: cansados, desanimados, frustados. Planejamos muito e executamos pouco. Não nos atentamos para as nossas limitações. Talvez assumimos muitos compromissos, mais daquilo que poderíamos honrar. Talvez não estabelecemos claramente nossas prioridades ou, então, colocamos como prioridade o que não era. Talvez ainda, superestimando nossa capacidade acabamos por exaurir nossas forças. Todas essas possibilidades, no entanto, nos mostra uma verdade inconsteste: não sabemos (e não soubemos) aproveitar satisfatoriamente nosso tempo.

Os dias são maus por isso precisamos remir o tempo (Efésios 5.16). Em outras palavras, saber administrá-lo. É exatamente isso que Moisés pede a Deus no v.12: "Ensina-nos a contar nossos dias, para que alcancemos coração sábio." Precisamos assim, dar-nos conta da brevidade da vida para que possamos saber vivê-la. Precisamos reconhecer nossas limitações para superá-las. No entanto, esse exercício não pode ser feito a partir de esforços humanos apenas. Precisamos, dessa vez, olharmos o tempo sob a ótica divina. Somente assim, poderemos planejar eficazmente o que virá.

25/11/2015

A parábola do credor incompassivo

LEIA: Mateus 18.21-35

Em certa ocasião, Pedro aproxima-se de Jesus e pergunta-lhe quantas vezes deveria perdoar a um irmão que havia pecado contra ele. A forma pela qual Pedro faz a pergunta denota claramente que ele sabia que se deveria perdoar. Mas quantas vezes? A pergunta quase em tom de afirmação diz: "Até sete vezes?" (v.21). Mas Jesus esclarece: "setenta vezes sete" (v.22). Em outras palavras, inúmeras vezes!

Para que Pedro - e a nós mesmo - compreendesse realmente suas palavras, Jesus lança mão de uma estória, a parábola do credor incompassivo. Mas o que essa estória, de fato, tem a nos ensinar hoje? E o que ela tem a ver com perdão? 

O ensino principal da parábola do credor incompassivo é a magnitude da misericórdia de Deus que deve refletir em seu povo. Em outras, por receber infinita misericórdia de Deus devemos, igualmente, exercer misericórdia para com as pessoas. Não proceder assim pode nos deixar em situação difícil diante de Deus. Mas antes de compreender isso, compreendamos a parábola.

A parábola do credor incompassivo é contada em 4 atos os quais, em cada um, é possível extrair lições que lançam luz sobre o seu propósito principal. Senão vejamos:

ATO 1 - AJUSTES DE CONTA ENTRE UM REI E OS SEUS SERVOS (vv. 23-27): Um rei resolve ajustar contas com seus servos, um a um, até que lhe é trazido um cuja dívida é de dez mil talentos. Aqui é necessário um esclarecimento acerca desse valor. O talento equivalia a trinta e cinco quilos e correspondia a seis mil denários. Por sua vez, o denário era uma moeda de prata equivalente à diária de um trabalhador braçal. Portanto, dez mil talentos trata-se de uma enorme quantidade de prata, a saber, trezentos e cinquenta mil quilos de prata. Poderia-se ainda, equipará-lo a sessenta milhões de denários entendido como sessenta milhões de dias trabalhados. Para se ter ideia, dez mil talentos representa aproximadamente dez anos de arrecadação do Império Romano (Estima-se que anualmente os romanos arrecadavam novecentos talentos). Dívida impagável mas certamente contraída de forma ilícita! O servo do rei não tinha como saldá-la a não ser que ele próprio vendido, sua mulher, seus filhos e tudo o que possuía. O rei emitiu tal sentença amparado pela Lei (Êxodo 21.2; Levítico 25.39; 2Reis 4.1; Neemias 5.5; Isaías 50.1). O servo pede um tempo ao rei para pagar sua dívida (v.26). O rei, por sua vez, compadecido o perdoa de toda a dívida pois sabia que jamais teria condições de pagá-la. A nossa dívida com Deus era impagável também. Na cruz, porém, ela foi paga de forma cabal. Fomos justificados e não devemos mais nada diante do Tribunal de Deus. Mas o que aconteceu com o servo perdoado?

ATO 2 - AJUSTES DE CONTA ENTRE O SERVO PERDOADO E UM DOS CONSERVOS (vv. 28-30): Descendo as escadarias do palácio real, o servo perdoado encontra um de seus conservos. Esse homem devia a ele cem denários. Um dívida pagável, por assim dizer. Cem dias de trabalho e aquela poderia ser paga. A atitude do servo perdoado é muito hostil. Ele agarra e sufoca o seu conservo e, diante de muitas pessoas, exige veementemente que a dívida seja paga. Aquele homem não tinha como pagá-lo naquele momento e o pede um tempo assim como ele próprio o fez diante do rei. No entanto, incompassivo, não atende o pedido o lança em prisão até que a dívida fosse saldada (v.30). O homem que recebera misericórdia, por sua vez, não a exerce. Antes, quer justiça! Como pode em tão pouco tempo esquecer-se do favor do rei? A atitude dele no ensina que Deus faz sempre mais (Efésios 3.20) mas nós fazemos sempre menos! Mas tal atitude ficaria impune? Certamente que não!

ATO 3 - A DESAPROVAÇÃO DAS TESTEMUNHAS (v.31): Aquelas pessoas que testemunharam o ocorrido, seus próprios companheiros, desaprovaram sua atitude. Sabiam que ele fora perdoado mas, naquele instante, quando teve oportunidade de ser coerente e, portanto, perdoar não o fez. Quantas vezes não agimos segundo esse homem? Nossa dívida também impagável foi perdoada por Deus. Fomos (e somos) alvo de sua misericórdia mas, ao invés de exercê-la, exigimos justiça cheios de razão, como aquele homem, afinal ele estava cobrando algo que outro lhe devia. No entanto, se levarmos tudo sempre ao "pé da letra" corremos o risco de nos tornar tiranos e a exigir do outro aquilo que não podemos oferecer. Nossas contradições, no entanto, não passam despercebidas pelos outros. Aquelas pessoas, observando a desagradável cena, entristeceram-se e relataram tudo ao rei. Qual seria dessa vez a atitude do rei diante do acontecido? Exerceria misericórdia novamente?

ATO 4 - A REVOGAÇÃO DO PERDÃO (v.32-34): Ao tomar conhecimento do caso, o rei o manda chamar imediatamente e lhe cobra explicações. Ao parece, aquele homem não diz nada ao rei. Este, muito indignado, o entrega a verdugos, carrascos incumbidos de cumprir na prática as sentenças emitidas. O perdão dado pelo rei àquele homem fora revogado. A dívida, portanto, teve de ser paga. Ele seria então torturado até que saldasse suas pendências. O servo outrora livre encontra-se, dessa vez, aprisionado justamente por aprisionar o outro. Isso implica que se não exercemos devida misericórdia sobre os outros poderemos atrair juízos sobre nós. Jesus encerra a parábola dizendo exatamente isso (v.35). Devemos, pois, perdoar assim como Ele nos perdoou (Mateus 6.12) para que o nosso perdão não seja revogado. 

Jesus quis ensinar a Pedro (e também a nós) que devemos perdoar nossos irmãos quantas vezes forem necessárias. Fomos libertos do pecado mas ainda pecamos e carecemos do perdão todos os dias. Portanto, não podemos exigir justiça do outro e requerer misericórdia de Deus. Não podemos deixar que as mágoas embruteçam nosso coração. Mas ainda que embrutecido, nosso coração deve perdoar, por responsabilidade. Afinal, como discípulos de Cristo devemos imitá-lo. Refletir em nossas práticas o infinito amor que Ele manifesta em nós sem medida.

18/11/2015

A parábola do juiz iníquo

LEIA: Lucas 18.1-8

O propósito fundamental da parábola do juiz iníquo contada por Jesus era nos ensinar sobre o dever de orar e nunca esmorecer (v.1). Essa, aliás, é uma recomendação frequente ao longo das Escrituras (cf. Romanos 12.12; Efésios 6.18). No entanto, nessa parábola, cabe destacar a ênfase de Jesus sobre a necessidade de orar incessantemente. Quem crê em Deus ora, quem não ora, não crê! Quanto mais oramos, mais podemos ver o agir de Deus em nossas vidas. Por isso, as palavras de Jesus são imperativas.

Posto assim, o "dever" de orar, é oportuno atentarmos para alguns detalhes presentes na parábola a fim de compreendermos a forma pela qual devemos fazer isso. Em outras palavras, compreendermos como devemos proceder. Reconhecermos as personagens bem como o papel que ocupam na parábola é um bom começo. Embora o título da parábola atribua ao juiz iníquo um certo destaque, é sobre a viúva que devemos inicialmente debruçar nossa atenção. Senão vejamos.

No contexto da parábola, a viúva representava a essência de uma pessoa indefesa (cf. Salmo 68.5; Lamentações 1.1). Caso não tivesse filhos que cuidariam dela, estaria totalmente desamparada correndo, inclusive, o risco de morrer de fome. Ao que parece, a viúva da parábola estava nessa condição, desamparada e injustiçada, essa - diga-se de passagem - era a causa que ela apresentava ao juiz iníquo.

Portanto, essa mulher era uma pessoa totalmente indefesa diante do problema e também diante do juiz. Mas, são nessas condições que ela apresentava a sua causa. E, é dessa forma, que devemos também apresentar as nossas causas perante Deus, qual seja, de maneira indefesa. Isso representa impotência, humildade, reverência. Devemos, pois, nos achegar a Ele da mesma maneira que o publicano da parábola que Jesus contou em seguida. Devemos, ainda, estar conscientes de que não há garantias de que nossas petições serão atendidas prontamente.

Ainda que não saibamos exatamente o que lhe ocorrera mas a causa da viúva era legítima  haja vista que era por justiça que ela clamava. Nesse aspecto, o próprio Jesus ensinou que "Bem-aventurados são aqueles que tem fome e sede de justiça, porque serão fartos" (Mateus 5.6). Portanto, a vontade dela convergia com a vontade de Deus. Por isso, devemos orar sempre de acordo com a Palavra de Deus (João 15.7) para que nossas causas, assim como da viúva, sejam legítimas.

Causas legítimas alcançam êxito, (os que tem sede de justiça, serão fartos - diz o texto), ainda que demorem algum tempo (v.4). É importante, atentarmos agora, para o juiz iníquo. De forma contrastante, ele representa o próprio Deus. O juiz iníquo dada a insistência da viúva julga a sua causa. A lição para nós é simples: se esse homem, injusto e prepotente, atendeu a viúva quanto mais Deus. Acaso Ele não fará justiça aos seus escolhidos? (v.7). Absolutamente! Eis aí uma razão para clamarmos dia e noite pois ao Seu tempo nos atenderá ainda que pareça demorado. Devemos, no entanto, evitar o imediatismo pois certamente isso minará nossa fé! (v.8)

Diante de Deus, portanto:

1) Devemos nos apresentar como viúva;
2) Devemos apresentar causas legítimas;
3) Devemos ser perseverantes;
4) Devemos ser pacientes.

E, por fim, lembremo-nos: "Quem crê em Deus, ora; quem não ora, não crê."

11/11/2015

Defenda o que é seu! (Parte 2)

LEIA: 2Samuel 23. 11-12


Ao posicionar-se no meio do campo de lentilhas e defende-lo do ataque filisteu, Samá demonstrou o valor que aquele campo possuía para ele. O inimigo certamente não entendeu a atitude dele assim como muitos do seu povo também não devem ter entendidos. "É só um campo de lentilhas", devem ter pensado. Não poderiam avaliar o que esse "campo de lentilhas" representava para Samá. Nós, quando empunhamos nossas espadas e solitários nos posicionamos para defender o nosso campo de lentilhas também somos incompreendidos! Mas, assim como Samá, precisamos defende-lo bravamente pois, aquilo que para os outros pode não ter valor algum mas, para nós, é precioso. Portanto, não nos resta outra opção a não ser defende-lo!

Mas o aquele campo de lentilhas poderia significar para Samá? O que justificaria atitudes tão atrevidas da sua parte? 

Para encontrarmos respostas para estas e outras perguntas precisamos recordar que Samá era um dos principais valentes de Davi e, portanto, um soldado corajoso. Assim, defender aquele campo significava primeiramente defender sua honra! 


Honra pode ser definida como um princípio de conduta pessoal baseada na ética, na honestidade, na coragem. Samá era um guerreiro e, naquele momento, deveria agir como tal. Seu papel era, pois, lutar. Poderia perder a luta, é verdade, mas não poderia deixar de lutar! Devemos, portanto, defender o que somos, o que pensamos e o que representamos.

As terras eram propriedade de seu povo e dela provinha o sustento de todos. Vale lembrar que a lentilha era uma planta rasteira, da família das leguminosas, muito apreciada pelo valor nutritivo e pelo sabor agradável que possuía. No campo cultivado estava esforço de todos. Era, pois, um bem comum. Assim, para Samá defender aquele campo significava ainda defender sua família!

É interessante observarmos que ele não tinha motivos para defende-la, afinal, todos fugiram! Samá, por sua vez, ficou e lutou por todos. Poderiam não ser homens valorosos mas para ele o eram. Ele entendia que valia a pena lutar pela sua família assim como vale a pena lutar pela nossa mesmo que ainda não tenhamos motivos. A família é um instituição divina e, por essa razão, o principal alvo do inimigo que quer vê-la dividida  (Êxodo 10.11) e arruinada (Mateus 12.15).

Por fim, para Samá defender aquele campo significava defender sua fé! Sabemos que os valentes de Davi eram homens que viviam marginalizados (1Samuel 22.2). No entanto, de covarde Davi os transformou em valentes (2Samuel 23.8), de aflitos em corajosos (1Crônicas 12.22) e, de envidados, valorosos (1Crônicas 12.2,8,14). Deus mudou suas histórias assim como a nossa! E, esse mesmo Deus, está ao nosso lado todos os dias mudando nossas histórias todos os dias! Samá pôs em prática sua fé quando enfrentou o inimigo. Ele havia aprendido com Davi, seu general, que o próprio Deus lutaria por ele e lhe daria vitória. Dito e feito. Naquele dia Deus efetuou grande livramento (2Samuel 23.13) resultado, portanto, da sua fé!

O campo de lentilhas significava para Samá aquilo que havia de mais importante para ele: sua honra, sua família, sua fé! O mais importa para você? Qual o seu campo de lentilhas? Seja o que for, ele representa muito para você. É seu! Portanto, posicione-se e o defenda. O Senhor certamente efetuará grande livramento!

04/11/2015

Defenda o que é seu! (Parte 1)

LEIA: 2Samuel 23. 11-12

Ao todo, os valentes de Davi eram 37 homens (2Samuel 23.39). Dentre eles, havia um chamado Samá cujo maior feito foi posicionar-se no meio de um campo de lentilhas e defende-lo do ataque filisteu justamente no instante em que todo o povo fugia. Além de ser o seu maior feito é o único descrito na Bíblia. No entanto, a partir dele é possível conhecer um pouco a seu respeito e de suas atitudes. Senão vejamos:

1. Samá, filho de Agé, o hararita, provavelmente nasceu em circunstâncias nada favoráveis pois o seu nome significava "desolação". Tal condição, no entanto, não era privilégio dele apenas. Os valentes de Davi eram os excluídos daquela sociedade (1Samuel 22.2). No entanto, tiveram suas vidas transformadas quando encontraram-se com o rei. Samá passou a ser o terceiro homem mais importante de Davi.

2. Samá recebeu um campo de lentilhas do rei para cuidar e fez juz a confiança a ele devotada. Em certa ocasião, quando os filisteus promoveram um ataque ao seu povo todos fugiram, exceto ele. Se tivesse fugido, teria perdido a oportunidade de realizar tal feito. A oportunidade, portanto, nunca está ao lado daqueles que fogem diante das batalhas.

3. Samá, assim, lutou sozinho diante do exército inimigo e o venceu. O fato de estar sozinho na batalha não o enfraqueceu. Ele venceu o desânimo e temor que certamente tomou conta do seu coração. Ele obteve inicialmente uma vitória interna reconhecendo portanto, força em sua fraqueza (2Coríntios 12.10).

4. Samá se posicionou no meio e não nos flancos do campo. Fez isso não porque desejasse para si honrarias mas porque era o papel que lhe cabia naquela ocasião. Se expôs, mesmo sabendo os riscos que estava correndo. Mas era necessário correr esses riscos pois, do contrário, não os teria superado.

5. Samá defendeu o campo e não as lentilhas, certamente, esmagadas durante do combate. Sua prioridade, portanto, era defender aquilo que era fundamental. Novas sementes poderiam ser lançadas naquelas terras e frutificarem novamente. Mas isso não seria possível se o inimigo lhe tomasse o campo.

O resultado de tais atitudes: grande livramento de Deus! (2Samuel 23.12)

Portanto, Samá desconsiderou o seu passado e tornou-se um soldado valoroso. E, como tal, diante da luta não perdeu a oportunidade de enfrentá-la. Mesmo sozinho, não desanimou. Correu os riscos e defendeu aquilo que era importante para ele e para o seu povo. 

21/10/2015

Aprendendo com as aflições de Jó: a grandeza de Deus diante das aflições

LEIA: Jó 38, 39, 40 e 41

Ao ouvir as palavras de sua esposa e de seus amigos nada aconteceu à Jó. No entanto, quando ele ouviu as palavras de Deus, sua postura mudou radicalmente. O homem que se manteve irrepreensível diante de tamanha aflição buscou sempre provar sua integridade face às duras palavras que lhe atingiram. Entretanto, o que lhe doeu mais não foram essas palavras mas certamente o silêncio de Deus. Por isso, ele desejava ansiosamente uma audiência com o Todo-Poderoso. Afinal, Jó queria saber do próprio Deus as devidas explicações para o seu sofrimento. Isso, no entanto, ocorre apenas quando Jó tem uma visão acerca de Deus (Jó 38.1). Seria esse momento tão esperado aquele que elucidaria toda a situação de Jó? Deus responderia detalhadamente todas as inquietações de seu coração? Infelizmente não! Deus dirige-se a Jó através de perguntas que à primeira vista não lhe interessavam. No entanto, foram essas mesmas perguntas que o fizeram a ver as coisas sob outra perspectiva.

As perguntas de Deus à Jó podem ser agrupadas através das seguintes categorias:
  • Onde? A primeira pergunta, aliás, inicia-se dessa forma: "Onde estavas tu?" (Jó 38.4). Através dessas perguntas Deus queria inserir a vida de Jó na história do próprio Universo. Deus queria ensiná-lo que ele fazia parte de um contexto muito mais amplo que as suas aflições. Nós fazemos parte do Universo. No entanto, somos tão pequenos diante dele, não vivemos sozinhos nele e tampouco somos o centro dele. O propósito de Deus é, portanto, revelar a magnitude do Universo criado por Ele e, ao mesmo, a insignificância do homem nele.
  • Quem? Perguntas iniciadas assim visam desafiar a Jó a pensar nos mistérios da criação e na divina providência. Deus não criou todas as coisas e as relegou à própria sorte. Ao contrário, Ele mesmo é o sustentador delas. Deus queria mostrar a Jó o seu cuidado com a criação e o seu o controle sobre ela. Portanto, as aflições de Jó não passavam despercebidas aos olhos de Deus. Ao contrário, Ele estava atento a elas. O Deus que controla todas as coisas não está alheio às nossas causas. 
  • Acaso ou Porventura? Perguntas iniciadas através dessas expressões visam revelar a incapacidade de Jó diante de situações elementares da vida. O que Deus quer mostrar é que o Universo segue o seu curso normalmente sem o homem. Não temos condições, nem controle sobre o seu funcionamento. Não sabemos o que acontece durante a noite, por exemplo, apesar de a vermos chegar com o pôr do sol. Deus não espera que Jó responda a tais perguntas mas que ele (assim como nós) reconheça a sua incapacidade diante de todas as coisas.
Diante do exposto, não restava a Jó outra coisa senão o silêncio mas, dessa vez, de sua parte.  Ouvir a respeito da grandeza de Deus o fez compreender que o sofrimento que lhe afligira não era maior que o Deus que ele servia. Ele chega, assim, a quatro conclusões importantes:

1) Jó confessa a onipotência e a soberania de Deus (Jó 42.2);
2) Jó confessa a sua limitação diante dos planos de Deus (Jó 42.3);
3) Jó confessa o benefício supremo de suas aflições (Jó 42.4);
4) Jó confessa o arrependimento de suas palavras (Jó 42.5-6).

É oportuno destacar que Jó faz tais confissões antes mesmo que Deus restaure sua prosperidade. A atitude de Jó nos ensina que nossas aflições não chegarão ao fim quando estivermos olhando para elas mas para a grandeza de Deus diante delas. 

14/10/2015

Aprendendo com as aflições de Jó: as certezas diante das aflições

LEIA: Jó 19.25-27

O capítulo 19 do livro de Jó é bastante conhecido porque contém a famosa declaração que ele faz acerca do seu Redentor (v.25). Os vv. 25 e 27, nos quais está contida tal declaração, apresenta as certezas de Jó as quais, por sua vez, o sustentaram em meio as suas aflições. No entanto, dois aspectos são importantes para compreendermos o valor das palavras ditas por Jó. O primeiro deles diz respeito às descrições de suas aflições no contexto do capítulo: Jó é oprimido através de palavras (vv. 2 ss) e também pelo próprio Deus (vv. 5 ss), é abandonado pelos próprios parentes (v.14) e pelos próprios servos (v.15), e, ainda, é desprezado por crianças (v.18). O quadro descrito, portanto, é lastimável mas é, diante desse quadro, que Jó apresenta suas certezas. Demonstrar confiança, nesses termos, possui um valor inestimável para Deus (Hebreus 11.6).

Mas de onde Jó extraiu essas certezas? Quais suas fontes? Em que momento de sua vida ele fez isso? Eis aí o segundo aspecto para compreendermos suas palavras. Como sabemos, Jó era um homem temente a Deus e também possuidor de um grande conhecimento a respeito d'Ele (cf. Jó 4.4-6). Tudo isso, certamente, foi adquirido em tempos de calmaria. Ele acumulou ao longo desse período certezas em seu coração que, no momento mais difícil da sua vida, o sustentaram. Portanto, é necessário nos questionarmos acerca daquilo que temos acumulado em nosso coração em dias de paz. Temos lido a Bíblia, buscado a Deus em oração? São práticas como essas que produzirão certezas em nossos corações quando as aflições chegarem em nossas vidas.

Mas quais são as certezas de Jó? Quais podemos destacar? De acordo com o texto, são essas:

1) Jó sabe que o seu redentor vive (v.25): É importante destacar que para Jó o seu redentor não é Deus. Em Jó 16.19, Jó refere-se a ele como sendo sua testemunha ou seu advogado que, portanto, advoga sua causa. Em Jó 9.33, o redentor aparece como árbitro, ou seja, aquele que julga entre ele e Deus. Portanto, o redentor sempre aponta para um mediador entre o homem e Deus, portanto, para Jesus Cristo (1Timotéo 2.5). Jó está certo de seu redentor vive. Essa é, sem dúvida, a marca distintiva do cristão. O nosso redentor está vivo! A morte não o segurou, o túmulo está vazio! Nada mais confortante estarmos certos disso quando estivermos em duras aflições.

2. Jó sabe que o seu redentor se levantará sobre a terra (v.25): Nesse contexto, terra quer dizer pó. Precisamos compreender isso para entendermos as palavras de Jó. Desde que os tumores malignos surgiram em seu corpo ele sabia que a morte o esperava, aliás, ele próprio a desejava. Por isso, em vários momentos, Jó a menciona como, por exemplo, em Jó 7.21. É interessante notar que, junto com ele, descerá ao pó, a esperança. Portanto, ambos serão mortos. Assim, dizer que o seu redentor se levantará da terra (ou do pó) implica dizer que ele próprio e a sua esperança ressurgirão. Nunca é demais lembrar que a esperança do cristão é Jesus Cristo. Nada mais confortante estarmos certos disso em momentos de incertezas e dúvidas.

3. Jó sabe que verá a Deus (vv. 26 e 27): Essa, sem dúvida, é a principal das certezas de Jó. Depois que o seu redentor se levantar sobre a terra, ele receberá uma nova pele e, na própria carne, verá a Deus. Jó não está falando aqui de uma visão e sim de um encontro físico. Tamanha preocupação de Jó com a pele não é casual pois a degradação dela é a maior prova de sua aflição (Jó 7.5). Portanto, a restauração de seu corpo como um todo representa para Jó o fim de todos os males. As palavras dele representam a nossa bendita esperança (Tito 2.13): o encontro com nosso redentor e nossa glorificação. Um dia toda a nossa lágrima será enxugada (Isaías 65.19; Apocalipse 21.4). Nesse dia então, nossas aflições, as mais terríveis, não terão efeito algum sobre nós. Nada mais confortante estarmos certos quando ainda hoje as lágrimas escorrem pelos nossos rostos cansados e tristes.

Que as certezas de Jó diante das aflições sejam as nossas também em nossas aflições. Saber que o nosso redentor vive, que ele se levantará sobre a terra que, por fim, veremos a Deus certamente nos servirão de alento nos momentos mais difíceis os quais estamos enfrentando ou os quais enfrentaremos um dia.

07/10/2015

Aprendendo com as aflições de Jó: o silêncio diante das aflições

LEIA: Jó 2.11-13

Os dois primeiros capítulos do Livro de Jó descrevem duras perdas sofridas por ele:
  • Perda das riquezas (inclusive dos filhos);
  • Perda da saúde;
  • Perda do apoio da própria esposa.
É interessante que, mesmo diante de tantas perdas, Jó permanece otimista e confiante ( 1.21; Jó 2.10). No entanto, logo no início do capítulo 3, Jó amaldiçoa o dia do seu nascimento. Nesse entretanto, o que teria acontecido com ele?

Observe que o capítulo terceiro inicia com a frase "Depois disto" (Jó 3.1). A pergunta é: a que acontecimento ela se refere? A resposta está em Jó 2.13. Após a chegada de seus três amigos, estes sentaram-se com Jó e todos permaneceram em silêncio durante sete dias e sete noites. Portanto, a explicação para a mudança da postura de Jó está exatamente nesse período de silêncio que ele experimentou.

Vale lembrar que o silêncio é benéfico, todos precisamos de um tempo para nós mesmos. Mas diante das aflições o que o silêncio pode produzir em nossas vidas? Se basearmos na experiência, o silêncio pode produzir sérias consequências.

Durante esse período certamente Jó fez uma retrospectiva de sua vida. Partiu daquele momento até o ao seu dia natalício. Certamente perguntas do tipo: Onde foi que eu errei? Ou então, "O que fiz para merecer isso?" passaram pela cabeça desse homem. Ele queria encontrar explicação para o que estava vivendo. 

Jó reconhecia-se como pecador, basta lembrarmos que ele próprio oferecia holocaustos em favor dos filhos (Jó 1.5). Diante desse silêncio, Jó confessara a Deus os seus pecados talvez imaginando que, perdoado, estaria livre das aflições. Eis aí uma preciosa lição extraída da vida de Jó: podemos colher o mal mesmo tendo plantado o bem. Afinal, os justos também sofrem!

Em silêncio, Jó esperava respostas da parte de Deus para o seu sofrimento (Jó 13.20-23). Mas durante todo esse tempo Deus também permaneceu em silêncio. Aliás, Ele vai se dirigir a Jó apenas no capítulo 38 do livro e não para dar as respostas que Jó esperava mas para revelar a ele a Sua grandeza. O silêncio de Deus pode nos consumir e causar mais dano que a própria perda material. Pode, inclusive, nos fazer blasfemar. Jó não fez isso mas revelou profunda indignação diante da dor.

Portanto, diante das aflições da vida avaliemos as consequências do silêncio. Falemos a Deus nossas necessidades e, se preciso for, falemos a pessoas tementes a Deus. Mas nunca deixemos que o silêncio nos consuma. As consequências podem ser muita duras para nós.